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Do abstrato ao concreto: o contrato começa a ser definido na entrevista inicial, com um questionário completo que ajuda a avaliar mais precisamente o que deve ser feito. É a sequência do livro “Em Busca do Contrato Perfeito”.

Por Carlos Nepomuceno

Não resta dúvida de que os serviços em aberto são muito mais complexos para a redação do contrato. A construção de um sistema ou um site, de forma abstrata, pode levar de uma semana a três anos, dependendo da especificação.

Assim, você terá que transformar o abstrato em concreto nas seguintes etapas:

Entrevista -> Minuta -> Contrato -> Adendos

  • Entrevista – para conhecer qual é a expectativa do cliente;
  • Minuta – resumo da entrevista inicial para rapidamente saber se há sintonia entre o que o contratante quer e o que você entendeu;
  • Contrato – complementar a minuta com as cláusulas mais formais;
  • Adendos - incluir o não planejado ao longo do projeto.

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Entrevista

Objetivo: perceber e anotar o que está realmente incomodando o cliente para poder redigir a minuta.

Preocupações preliminares
Fale pouco. Muitas vezes nos perdemos na entrevista inicial, falando dos nossos méritos e esquecemos de escutar o futuro contratante.

Lembre: não é à toa que você tem uma boca e duas orelhas!

Um questionário bem estruturado fará que você fale pouco, escute muito e anote bastante. Se o entrevistado quiser saber algo de você, pode ter certeza que vai perguntar. Seja breve, fale o fundamental para garantir que você é capaz de realizar o trabalho com qualidade e preço adequado.

Confirme ante de sair
Nunca vá a reuniões antes de confirmar, mesmo que tenha sido marcada de véspera. Uma ligação antes de sair do escritório mostrará que você valoriza o seu tempo e o dele.

No momento do telefonema inicial, portanto, recolha o celular do contato ou da secretária e ofereça o seu, pedindo que qualquer contratempo seja informado. (Aliás, este conselho vale para todas as reuniões ao longo do projeto).

Vista-se de forma adequada. Procure estar afinado com o cliente. Se imagina que usa terno, vá de terno. Se é ONG (Organização não governamental) tente blusa social. O importante é não criar contraste. (Mulheres, façam a transposição!)

Na dúvida, sempre esteja mais formal, pois é sinal de respeito e consideração.

Leve material de divulgação
Leve o da sua empresa (o ideal é um folder) mais o cartão de visita para a primeira entrevista e um portifolio dos trabalhos já realizados. Neste material é fundamental (principalmente para clientes novos):

  • Lista de clientes bem atendidos;
  • Depoimento destes sobre o seu trabalho;
  • E-mails para possível pedido de referência.

Apresente como você trabalha
Como há ainda muitas dúvidas sobre projetos web e nem sempre o contratante tem experiência em contratar projetos neste campo é interessante levar algum material explicativo de como trabalham. Os principais problemas que podem ocorrer e as soluções que sugerem. Isso não só fará o diferencial em relação à concorrência, mas será útil para “limpar o meio de campo”.

Preenchendo o questionário

Como ele chegou até você?
É um bom início para amenizar o clima, falar de pessoas de conhecimento comum;

Qual o foco da empresa?
Tenha uma visão geral para onde caminham em termos estratégicos;

A empresa está crescendo ou com problemas?
Informe-se sobre o momento da empresa, aqui vale mais pesquisa e observação do entorno. Clientes, publicidade, informações no mercado.

Qual o problema que o contratante quer resolver com mais urgência?
Vai citar vários, mas tente descobrir e perguntar qual é o mais premente, pois justamente esse deve ser resolvido e para o qual está disposto a pagar. A experiência mostra que mega contratos são mais difíceis de fechar, levam mais tempo e tendem a perder o ritmo, o que é péssimo para o desenvolvedor.

Quanto mais divididos forem os contratos, um atrás do outro, melhor.

(Não, não estou sugerindo que se abra mão dos grandes projetos, apenas tome cuidado!);

O que ele espera realmente com o serviço?
Existem algumas poucas alternativas: economizar recurso, aumentar receita ou ganhos indiretos, como projeção de marketing. Pense como ele, pois no final espera que esta demanda inicial seja atendida e não a que você pode querer para o projeto;

Qual o departamento onde seu entrevistado trabalha?
Qual a relação deste na empresa? É importante situar o entrevistado dentro do ambiente geral da organização e o grau de hierarquia. E, principalmente, se tem o poder para fechar negócio;

Há concorrentes para a mesma proposta?
É pergunta delicada e até incômoda, mas deve ser feita, pois a comparação de empresas na área web é muito difícil, só possível com edital muito bem preparado, que balize bem as propostas.

Concorrências sem parâmetros na área de serviço geralmente significam tempo jogado fora: do contratante e do fornecedor..

Já tiveram experiências com outros projetos iguais?
Como foram? E por que não continuaram com a prestadora antiga? Anote bem isso, pois o cliente deve estar mais atento para esse tipo de problemas já vividos ao longo de outros projetos. Dê atenção especial a eles. Saber a experiência com projetos similares ajuda muito a saber qual é o grau de dificuldade de diálogo que terá ao longo do projeto;

Já existe verba alocada para o desenvolvimento?
Ou estão criando condições para isso? Item fundamental para saber se você está perdendo tempo ou é um projeto viável. Muitas vezes o entrevistado está só especulando no mercado. Ou sondando fornecedores para colher idéias;

Para quando ele quer o serviço pronto?
Prazos curtos, podem exigir mais horas-extras, contratações adicionais e aumento no valor do contrato;

Quais são as regras para pagar fornecedores?
Válida para órgãos públicos, ou para empresas que pagam, por exemplo, apenas trinta dias após o envio de nota fiscal, o que também tem impacto nos custos.

Dados específicos para o contrato
Os dados da empresa, com endereço completo, o CNPJ e a Inscrição Municipal.

Quem vai aprovar as etapas de desenvolvimento?
E assinar o contrato? Quem será a pessoa que vai liberar as fases e liberar o seu pagamento. Anote o CPF e a Identidade;

A empresa tem logotipo?
Já está digitalizado? Com qualidade boa? Pergunta importante, pois se não tiver alguém terá que melhorá-lo e se a qualidade estiver ruim, é um serviço a mais que deve constar;

Que recursos o contratante vai alocar no projeto?
Disponibilizará redatores, tradutores, fotógrafos? É bom que todas as atividades estejam dentro da sua proposta, pois, assim, passará a controlar totalmente os prazos;

Os textos serão feitos a partir de que documentos ou entrevistas?
Caso seja você a realizar o texto, é preciso saber de onde se extrairá o conteúdo. Os textos já existem e serão adaptados de um folder, por exemplo, ou será necessário fazer pesquisas, entrevistas?

No segundo caso, o valor sobe.

Que fotos serão necessárias?
Para um bom visual, serão necessários imagens, que nem sempre podem ser baixadas da rede, por questões legais, assim a produção de fotos deve ser previamente discutida.

O ideal é que a produção fique por sua conta. Definir exatamente quantas fotos são necessárias, um item fundamental para orçar custos;

Que tipo de textos serão vertidos e para que línguas?
O site terá outros idiomas? Será a tradução de todo o site ou apenas parcial?

Que sites o cliente viu na internet e aprecia?
Isso define um pouco a expectativa em relação ao visual. Existe algum parâmetro a ser seguido? Há um padrão visual da empresa já realizado?

Quais sites (apresentado do seu portifolio) ele gosta mais?
Aqui você pode definir quem será o programador visual que fará o trabalho para esse cliente, caso tenha mais que um, ou quem contratará como webdesigner externo.

O contratante se responsabiliza junto com você pela escolha do perfil do programador visual, como escolhe um barbeiro. Falaremos mais disso adiante;

Dados complementares para o contrato

Terá Banners?
Quantos? De que complexidade?

Sistemas agregados?
Muitas vezes vale a pena desenvolver o site e depois agregar os sistemas em contrato separado;

O cliente já tem provedor?
Onde as páginas serão publicadas? Quem fornecerá o serviço?

Pensa em manutenção?
De quanto em quanto tempo serão colocadas ou atualizadas novas páginas? Diária, semanal ou mensal?

Tudo se resolve na sua cidade?
Haverá necessidade de viagens? Hospedagens? O endereço do cliente é próximo, teremos visitas a outras dependências?

Haverá treinamento para uso do site ou sistema?
Não só é um serviço a mais que você pode agregar ao projeto, como também, facilita a implantação. Caso sim, quantos profissionais e aonde?

Vão querer manual do site ou do sistema?
Outro item que pode ser oferecido com um valor a mais. O manual será para acesso de técnicos e administradores, ou se imagina um para os usuários finais, que geralmente são mais trabalhosos.

Mais questões?
Adapte as questões de acima para sua área específica e aumente ou diminua este questionário, conforme a complexidade do trabalho.

O que não falar na entrevista

Um erro comum é se considerar que a primeira reunião já é o início do projeto: errado! Ali, você está apenas para tentar conquistar o cliente. Seu objetivo é fechar o contrato. Os clientes mais experientes vão tentar tirar ao máximo, enquanto você está sem o taxímetro rodando.

Tome cuidado, pois você pode trabalhar de graça. Assim, o cuidado fundamental nesta primeira entrevista é não perder o foco, fechar a boca e escutar.

Resumindo: entrevista inicial não é consultoria gratuita!

Dicas adicionais

Nunca fale mal de concorrente ou de qualquer profissional da sua empresa, pois pesa contra o seu caráter e a confiança que vão depositar em você. Isso vale para todas as etapas do projeto;

Não fale nunca de outro cliente, dando detalhes, ou mesmo de problemas vividos. Isso vale para todas as etapas do projeto.

Na prestação de serviços em tecnologia é preciso delimitar claramente o que vai ser entregue. Na primeira parte do livro, leia a introdução e o que fazer para transformar a idéia abstrata em um produto ou serviço definido.

Por Carlos Nepomuceno

Por que um livro sobre contratos?

Redigir contratos é uma das maiores dificuldades de qualquer empresa na área de serviços, principalmente as produtoras web.

Produtoras de sites trabalham com o abstrato, o que dificulta bastante mensurar o que realmente será entregue ao cliente. Assim, o contrato quase perfeito é uma criação demorada. Quando acertamos na mão, começamos a ganhar dinheiro; quando não, perdemos.

Na minha vida web achei apenas um bom livro que me ajudou a ir adiante: Consultor Independente de Sucesso, de Herman Holtz, que faleceu, recentemente. Obrigado Herman!

Ao ler o livro, senti que o autor não escondeu o jogo e abriu as dicas fundamentais e realmente foi algo bastante útil para um jornalista que não tinha empresários na família, nenhuma experiência empresarial e muito menos formação empreendedora.

Prometi que depois que cumprisse uma certa jornada e experiência com a Pontonet, minha empresa, iria contribuir com os mais jovens. Hoje, depois de mais de doze anos de estrada, 200 projetos realizados, todos entregues, nenhum calote e clientes, ainda bem, na maioria, satisfeitos chegou a hora de passar algumas experiências para quem está chegando.

Avaliei que, de tudo que aprendi o item fundamental é redigir contratos quase perfeitos.

É o item que os amigos mais me consultam para tirar dúvidas e pedir sugestões. Percebi que ali estava o calcanhar de aquiles da maioria que começa na área de prestação de serviços web.

O paradoxo é o seguinte: para se fazer um bom contrato é preciso ter experiência. Mas para se ter experiência é preciso fechar contratos!

O contrato é a experiência acumulada de sua empresa em forma de cláusulas. Errar e colocar no contrato é humano. Errar, não colocar e repetir, só chorando! Ou seja, se em algum momento sentir que o contrato atual apresenta problema, anote e o corrija para melhorar o próximo.

Aceite com resignação que muitos problemas vão ocorrer até conseguir o contrato quase perfeito.

Chegar ao contrato adequado significa alguns ganhos importantes:

  • menos esforço;
  • melhora da relação com o cliente;
  • maiores ganhos.

E você pode se perguntar: com um bom contrato os meus problemas estarão resolvidos? Os meus clientes vão pagar em dia? Não terei retrabalho?

Claro que não!

O bom contrato diminui apenas o risco, com certeza, do cliente exigir o que não foi combinado e deixar de pagar na data estipulada. Pois quando nos deparamos com clientes problemáticos nem o melhor dos contratos vai obrigá-lo a mudar de atitude, mas, pelo menos, já há elementos suficientes para a interferência de terceiros, sejam eles os superiores de quem assinou ou da própria justiça.

Assim, os itens devem estar ali, claros, como água de montanha.

A proposta é abrir a discussão, passar a experiência e absorver idéias para novas versões. Espero que seja útil!

A quem recomendo?

Principalmente para os novos desenvolvedores web, com empresa ou autônomos, pois muitos os exemplos utilizados serão diretamente para esses, principalmente aqueles que têm que fazer diversas adaptações contratuais a cada novo cliente.

Será útil também para empresas ou autônomos de tecnologia, ou mesmo da área de serviço.

Para advogados que atenderão produtores web, com detalhes do que deve constar da parte técnica do contrato.

Ressalva: nossa meta é cobrir alguns problemas, digamos, técnicos do contrato e, com eles alinhavados, sugiro consultar seu advogado para dar a forma final.

Contratos de prestação de serviço em tecnologia

(No fundo, no fundo, vendemos vento!)

Quem consegue tocar em uma tradução de texto? Em uma palestra? Em um curso? Em um website? Em um sistema?

Você vê, até imprime, participa, acessa, se loga, assiste mas nada disso é tão concreto como uma calça, um computador, um carro ou um rádio, no qual podemos encostar as mãos e quantificar:

“Me dá uma calça tamanho 42, dois Pentium V e uma televisão de 20 polegadas”.

Portanto, é fundamental compreender que área de serviços trabalha com o intangível, o não palpável, vento!

Assim, para que possamos realizar bons projetos, baseados em contrato quase perfeitos, é fundamental que este seja a primeira parte do processo: transformar a idéia abstrata em concreta.

Transformar aquele desejo incipiente do cliente em um projeto viável, no qual fique satisfeito ao final, com os objetivos cumpridos, e você bem remunerado.

É um longo caminho da primeira entrevista, até a entrega final do produto.

Assim, podemos dividir os serviços de uma empresa de tecnologia em três tipos:

Empacotado

Quando conseguimos delimitar claramente o trabalho e o cliente já contrata o produto fechado:

  • Um curso de 20 horas;
  • Uma palestra de 4 horas.

São os contratos mais fáceis, pois tudo o que vamos oferecer está dentro do pacote, que podemos até chamar de “produto”.

Em aberto

Quando não conseguimos delimitar claramente o trabalho e é preciso criar diversas etapas para delimitar o serviço:

  • Um website;
  • Um sistema.

São contratos mais complexos, pois tudo o que vamos fazer está, a princípio, em aberto.

Mistos

Quando oferecemos parte do serviço claramente definido e outro em aberto:

  • Sistema de mala direta web + customização;
  • Treinamento de 20 horas + adicional conforme demanda.

São contratos que exigem esforço para delimitar a parte variável.

Anote a regra

Quanto mais aberto for o serviço, mais possibilidade terá de ser expandido e mais difícil será redigir o contrato adequado.

No próximo capítulo, As fases para redigir um contrato, vamos partir do abstrato ao concreto. Vá lá! [Webinsider]